A história da maconha medicinal no Brasil: avanços e desafios
A história da maconha medicinal no Brasil: avanços e desafios
Um dos marcos mais importantes aconteceu em 2015, quando a Anvisa decidiu retirar o CBD (canabidiol) da lista de substâncias proibidas.

O uso medicinal da cannabis é conhecido há milhares de anos — há registros de mais de 5.000 anos em diferentes culturas — mas, no Brasil, esse tema só começou a ganhar força recentemente. Foi apenas na última década que o debate se ampliou, impulsionado por pesquisas científicas, movimentos de pacientes e mudanças importantes na legislação.
Como tudo começou por aqui
Um dos marcos mais importantes aconteceu em 2015, quando a Anvisa decidiu retirar o CBD (canabidiol) da lista de substâncias proibidas. A partir desse momento, pacientes passaram a poder importar produtos à base de CBD, desde que apresentassem prescrição médica e autorização da agência. Essa mudança abriu portas para que a cannabis medicinal começasse, de fato, a fazer parte do cenário terapêutico brasileiro.
A evolução continuou:
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- 2019: a Anvisa aprovou a RDC 327, permitindo que produtos derivados de cannabis fossem vendidos em farmácias;
- 2020 em diante: o país viu crescer o número de associações de pacientes, aumentar as prescrições e chegar ao mercado um volume maior de produtos.
- 2025: O Superior Tribunal de Justiça (STJ) adiou novamente o prazo para a regulamentação do cultivo de cannabis para fins medicinais e farmacêuticos no Brasil, que inclui a operação das associações de pacientes. O novo prazo final estabelecido é 31 de março de 2026.
- 2019: a Anvisa aprovou a RDC 327, permitindo que produtos derivados de cannabis fossem vendidos em farmácias;
Apesar desses movimentos, o acesso ainda não é simples. Os custos continuam altos, e muitos pacientes recorrem à Justiça para conseguir autorização de cultivo doméstico — o famoso habeas corpus — como forma de manter seus tratamentos.
Regulamentação atual: onde estamos?
Desde 2015, a Anvisa tem publicado novas resoluções para tentar melhorar o acesso aos medicamentos à base da planta. Uma delas permitiu que empresas brasileiras fabricassem produtos aqui, desde que utilizam insumos importados. Isso possibilitou que algumas opções chegassem às prateleiras das farmácias, o que antes era impensável.
Hoje, quem tem prescrição médica pode importar medicamentos seguindo o passo a passo da Anvisa, ou comprar algumas versões já disponíveis no país.
Mas há um grande ponto pendente: o cultivo nacional ainda não foi regulamentado. Essa ausência de regulamentação torna o acesso burocrático, mantém os preços altos e impede que o mercado brasileiro se desenvolva de forma mais competitiva e sustentável.
Enquanto isso, a cannabis medicinal segue acessível apenas para parte da população, enquanto muitos pacientes buscam alternativas mais baratas ou dependem de decisões judiciais para garantir o tratamento.
O futuro da cannabis medicinal no Brasil
O tema continua no centro das discussões políticas, científicas e sociais. A regulamentação do cultivo nacional é vista por especialistas como um passo essencial para democratizar o acesso e impulsionar o desenvolvimento econômico do setor no país.
Até lá, o cenário segue avançando, mas em ritmo mais lento do que o necessário para atender a demanda crescente de pacientes que dependem da cannabis medicinal para melhorar sua qualidade de vida.
